Mostrando postagens com marcador POEMAS.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POEMAS.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Papillons

Nuvens que vagam no céu a pastar...

E eu, o que faço de mim?

Vejo este rebanho ruminando seus sonhos;

Vejo este sol que chove sobre os campos;

Vejo os lírios que desabrocham o silêncio;

E eu, o que faço de mim?

Penso que não há o que fazer.

O certo é se deitar na relva fresca;

Certo é ver esse mar correndo;

As ondas se dobrando em espumas;

Finjo que faço e não sou;

Eu minto – assim eu me salvo;

De quê?

De mim – que sou uma canção desafinada;

De mim – que se apodrece no Tempo;

De mim – que as lágrimas deslizam como víbora;

De mim – pour quoi? Mon dieu!

Mon amour pour toi

Mon chanson est triste…

O que devo fazer?

Vou abrir um livro de poemas

Ao pé de uma árvore

E assim desalinharei toda minha sorte

Em rimas e estrofes

Que eu não vejo entre as palavras...

Devo atravessar a barreira do som?

Devo ser o que sou?

Mas o que sou afinal?

Je suis votre corps,

Je suis l’amour corronder votre âme.

Nuvens que vagam no céu a pastar...

E eu, e eu, e eu?

Et moi?

Fico apenas a esperar...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ode Elegíaca Para Um Ponteio Saudosístico Em Dó Menor Quase Em Prosa Quase Em Versos. [para duas vozes solitárias]

Alô companheiro! Alô, diz

a voz,

eu não sei sorrir;

fecham-se as cortinas do palco e

fico mudo entre os atos

que precedem o próximo gesto

o instante futuro que passa é passado

vazio e mudo

entre notas ásperas de um piano desafinado que

desatina nas mágoas ponteadas das minhas

feridas rasgadas

violentadas, minha voz

esmorecida

se perdeu em algum canto

minhas palavras empobrecidas

deixei no meu canto

mudo pranto

foi-se companheiro

as terras vazias,

eu grito

G-R-I-TO:

AI DE MIM O QUE SOU DE MIM? SOU O QUE NÃO SABE O QUE SE PODERIA

VERBO TO-BE

CLAMA-SE POR ÁGUA E FOGO

O que sei eu disso?

olho através da janela

através da janela olho

a pedra, o nunca, o tudo,

você me diz:

És.

Eu sou?

Tu me foges!

Isso eu chamo de silêncio;

desligo o telefone, vou até o regato e fico apenas olhando

apenas olhando fica o regato a olhar-me

nunca fui a igreja

eu não sei como se reza o pai nosso,

Ave Verum Corpus

eu nunca vi Deus

deusinho deusinho

Vinde a mim porque humanizo-te e choro

as pragas vil dos milagres que eu nunca recebi;

sou pobre, meu cash está no zero,

nunca matei alguém

mas já chorei no dia de todos os Santos;

ontem,

preciso te relatar,

foi dia de Finados – soltem as pombas!!!

A PAZ ESTÁ MORTA!

MORTA???

DEUS, CLAMO TEU NOME E TUA VOZ ME CAI COMO UM RAIO!

AS TROMBETAS DO CÉU

ecoam,

ontem foi dia de Finados e por isso mesmo escrevo está ode

pois eu

humanizado

esqueço o que é morte:

será a morte um grande Nada?

DEUS TU ÉS O NADA?

O TUDO E O NADA.

Integrai-me

pois não sei como morrer.

Ontem foi dia de Finados e

finei os meus sonhos perdidos

antigos e vastos;

vasto vasto mundo

que tanto chorei sem deslumbrar

a vitória daqueles que emudecram

edificai – Senhor – edificai

UM DIA MORRE-SE

MORREREI MORREREI MORREREI

MORREREI MORREREI MORREREI

MORREREI MORREREI MORREREI

MORREREI MORREREI MORREREI

MORREREI MORREREI MORREREI

MORRE-SE MORR-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE

MORRE-SE MORR-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE

MORRE-SE MORR-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE

MORRE-SE MORR-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE MORRE-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

MATA-SE MATA-SE MATA-SE

Na janela do meu quarto

eu vejo da janela do meu quarto

o tempo e o vento

que se carregam nos rostos anônimos que tomam

Coca-Cola e comem chocolate no grande vazio

da praça;

mas eu vejo uma multidão que se levanta

das sombras que se repousam no pôr-do-sol;

gritadas a multidão palavras mutilam o sol que se esconde

entre as montanhas

equidistantes estúpidas e silenciosas

remotas saudosas...

queimam-se as cruzes dos meus sonhos

em desalento

gritam-se:

LEVANTEM A BANDEIRA NO MASTRO – MAS O GRITO É SEM GLÓRIA,

IMPÁVIDO

LÍVIDO COMO A COR DA SOLIDÃO

QUE SE PARTE EM MIL FLECHAS...

Povo

levantem suas lamparinas, bradei

e corri todos os montes

e todos os prados

e campos

os pássaros em bandos cruzaram o céu silencioso descortinados nos descampados

[e eu não vi, emudeço.

Partido o espelho em mil cacos perdi a minha face

irrefletida,

desmancharam as cores restos de faces minhas desmiradas multifacetadas se encontra

em escuros perdidos vazios escos gravíssimos

afino o desafinado silêncio dos finados

que se suspendem temerosos e trêmulos;

som da morte que soa

sincopado;

uma adaga peguei do seu cetro a cor rubra do sangue escarlate

que roubei a vida peregrina que das sombras que rondam meus sonhos

e desfiro um corte fundo

profundo

um suspiro

o sangue esguicha e vaza pela alucinação

desvairada

doida varrida

dos meus pulsos flamejantes

quero sofrer

quero me ser

quero sentir

o pulsar do MUNDO

como um TOLO

tingir a camisa de LODO

QUE A VIDA CAIA SOBRE MIM.

A multidão avançava em prantos

eu quero afinar esse mundo

numa canção sem palavras,

enquanto eu digo aqui da janela do meu quarto o âmago que me prende

e que me solta eu ganho asas e voo livre para os seus braços;

eu passava na rua ladrilhada por lantejoulas escarlates

(estrelas, meu bem, pareceram cair do céu para iluminar

o meu canto

mas me canto não existe...)

(minha melodia é um assobio sem ritmo e eu só sei cantar

através de um sopro

o primeiro e último suspiro

que atravessaram bilhões e bilhões anos-luz

quantas estrelas me espiam?)

e uma moça cantou assim preste a atenção:

“O surdo ouviu

o mudo dizer

que o cego viu

o aleijado correr”

Corre meu bem enquanto ainda é tempo!

corre enquanto ainda é primavera e o tempo é de morangos!

corre

prepara uma torta

receba os pássaros;

abra a tua janela para eu poder te ver

mais de perto.

Jamais eu poderei gritar o que

vi:

vede:

a luz!;

os olhos fartos eu fecho é preciso ouvir

um pouco o que se sopra entre a relva seca

e morta;

pensando eu estou muito em morte?

parafraseio o que sente no ritmo do peito

a víbora serpenteia meu corpo em espinhos

doce espinho

que me fere e me tange

eu não sei amar

nunca amei

serei uma dia amado?

esqueci o que sou do outro lado

dos meus sonhos;

apago a luz porque a luz me cansa

eu me canso de mim porque

eu não sei o que fazer.

Aleluia!

Abrem-se as porta:

eu sei que quero amar

gritar o meu cântico de amor

para aquilo que me ama!

quero morrer para saber que então

finalmente

poderei me integrar

à sua mágica de ser

quero perder a voz

frêmita

e sentir teu corpo nu

roçar sobre o meu

eu sou a terra

te respiro toda meu bem

uma garoa

fria e fina

pinga e respinga

no véu transparente

da janela

do meu quarto

quero ir até

a margem dos meus sonhos

e te roubar para andar comigo

de mãos dadas

e sermos um!

VENHA DEUS PORQUE EU SEI QUE TU ME ÉS

ENTÃO POSSO ME SER

FINALMENTE

PORQUE TE AMO.

Eu sei que a morte vem; vem? sim,

através das horas que se sucedem na ponta do ponteiro do relógio

há um estalo rude e seco:

a morte vem.

Vamos cantar em coro meu bem?

EU QUERO A VIDA AMAR-TE-EI SEMPRE SENTIR O TEU CORPO QUENTE

DE VIDA DE VIDA DE VIDA

SAUDOSO MORENO MOROSO

EU QUERO ABRAÇAR-TE

ROÇAR-TE

BEIJAR-TE

teus cabelos esvoaçam no campo

os lírios balouçam em nosso jardim;

vamos pegar o próximo bonde!

DEUS VINDE A MIM POIS CANTO A VIDA

A GLÓRIA DE SER-ME E DE TE AMAR

SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA

FAÇO O ANTIGO RITUAL TRIBUAL

ofereçam-se os sacrifícios!

UNIR-VOS

A SEDE ME CONSOME!

O que sou?

És o que jamais serás!

O que serei?

Serás o futuro!

O que é o futuro?

Invenção a mil vozes!

Paixão Segundo a Nossa Própria Morte!

Amem.

Amem.

(apaguem-se as velas,

vamos dormir em paz).

Dona Nobis Pacem.

domingo, 12 de setembro de 2010

Juro que não sei...

Tenho, com certa freqüência, esquecido de regar as plantas.

Tenho,

também,

esquecido de responder os recados da minha caixa postal.

Não abri uma carta –

só vi no verso do envelope umas letras miúdas...

Não abro mais a porta;

nunca deixo as pombas ciscarem em meu quintal...

Tirei o telefone do gancho e

não reguei as rosas do meu jardim.

Quando saí de casa,

saí de fininho – na ponta dos pés.

E no caminho – de algum lugar –

Eu esmigalhava com meus pés uma imensidão de coisas ignoradas,

folhas mortas que caíram do céu e que aveludaram meu caminho...

não quis fazer barulho,

assustar os transeuntes,

mas acho que me enganei mais uma vez,

com a esperança de que,

como as folhas secas de outono,

o vento carregasse cada lágrima que ia eu deixando pra trás

formando atrás de mim um rastro prateado

de poeira e solidão...

domingo, 11 de abril de 2010

Fantasia Op. 01

Existe um mundo - meu bem - em que as águas
[são transparentes, frágeis como uns olhos;
onde as lágrimas de tristeza cobrem tua face como
[um véu feito do meu suspiro.
Existe um lugar - meu amor - que o silêncio é o
[som de nossa voz;
onde nossos olhos, tão desavisados, contemplam o
[acaso de uma flor que desabrocha.

Existe em algum lugar - eu bem sei - o que ninguém
[jamais saberá;
repousarei-me na suavidade de seu corpo; e sua respiração
[é como a suave brisa de verão.
Existe em algum lugar - eu bem sei - uma sombra
[onde as flores do jardim se desabrocham;
águas límpidas sem fluidez; canção sem palavras.

É neste lugar, meu amor, em que o sol e a lua unem-se;
as estrelas todas espiam as borboletas, enquanto respiramos
[o segredo de Deus.
É neste lugar, meu amor, em que tu me és enquanto eu te sou.
E dentro de nós respiro o mundo e suas águas,
[a sua voz entre as demais vozes,
estilhaçadas e desamparadas no vazio de um deserto noturno.
Somos o mundo e:
Dentro do mundo
somos eternos.

Seguidores